sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Como la cigarra, Mercedes Sosa

Como la cigarra...

Como La Cigarra
María Elena Walsh

Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí
resucitando.


Gracias doy a la desgracia
y a la mano con puñal,
porque me mató tan mal,
y seguí cantando.


Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desaparecí,
a mi propio entierro fui,
sola y llorando.

Hice un nudo del pañuelo,
pero me olvidé después
que no era la única vez
y seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás
cuántas noches pasarás
desesperando.

Y a la hora del naufragio
y a la de la oscuridad
alguien te rescatará,
para ir cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

“Essas mãos quebradas são as mãos da resistência”


Carta da escritora feminista hondurenha Jéssica Islã ao seu irmão, agredido e preso pelos golpistas nas mobilizações que se deram na Embaixada do Brasil, em Honduras, onde quebraram suas duas mãos.


Ao meu irmão Léo. Penso que mãos não são mais que algumas mãos. As que tenho em frente: feridas, machucadas, cortadas em pedaços. Mãos com dedos imperfeitos, quebrados por outras mãos cheias de ódio. Mãos que sustentei entre as minhas de irmã mais velha desde o berço até que crescessem, pouco a pouco, para que moldassem sua própria vida. Mãos que defendi para que pudessem crescer sãs, sem contusões, nem golpes, para poder acariciar e abraçar a vida, para estudar, fazer anotações e escrever. Mãos para desenhar e curar. Mãos para dar risadas.


Esse mesmo par de mãos se defenderam surpreendidas, enquanto caminhavam alegres junto ao corpo, que ia em direção à casa de um amigo. Só puderam formar um muro frente aos golpes e aos chutes e pontapés de vinte policiais. Duas mãos, contra quarenta extremidades de fúria. Essas mãos só puderam quebrar-se, devido à violência sem sentido, pela violência que se crê estar no direito da razão. Mãos que agora são de gesso e estão imóveis, que nunca ficarão iguais e terão que percorrer um longo caminho até curar-se. Mãos que são a face angustiada da minha mãe acompanhada de sua pergunta: “Como isso aconteceu?”. Mãos que são minha raiva e minha impotência. Uma dor que explode em cada parte do meu corpo e que rasga minhas entranhas. Salga, se retorce e pestaneja.


Penso porque me dói tanto, e imagino o que eu faria sem minhas mãos sem os dedos que teclam nesse momento, sem minha ferramenta de vida, sem minha voz. Sem todas essas mãos que me sustentam: as mãos de meu companheiro e minha filha sobre minhas mãos a me consolar; as de Manitos Negras, sobre minhas costas brancas doentes, me fazendo chorar; as de Margarita que no computador traduzia às outras minhas mensagens de auxílio e apoio, enquanto sofria sua própria dor, sua própria perda. As mãos da irmã com nome de abelha que cada dia se assegurava que estivera bem. As mãos que sustentam o cobertor de solidariedade infinita de El Salvador, Costa Rica, México, Cuba, Argentina e Guatemala. As de minhas irmãs escritoras e a “teia de aranha” tecida pacientemente por minhas irmãs e irmãos hondurenhos direto desta resistência. As mãos de meus antepassados, anciãos, bruxas e guias espirituais. As mãos de Obatalá e Oshúm.


Essas mãos quebradas são as mãos da resistência. Espancadas, quebradas, mas firmes. Mãos dignas que gritam uma mensagem ao mundo que ainda não escuta. Que cuidam e acolhem, que embalam, se encolhem, cozinham, se levantam e abraçam. Mãos que com paciência, tempo e ternura voltarão a curar-se e a crer. Que não voltarão a ser as mesmas. Que crescerão de outra forma, que se curarão mais ou menos, que se estenderão ao mundo. Que em si mesmas formam uma voz. Que são milhares de mãos e ao mesmo tempo uma só. Algumas mãos são todas as mãos...


Jéssica Islã, direto de HondurasOutubro, 2009


*Traduzido por Livia Barbosa, do Pão e Rosas Franca.

Fotos de ARTISTAS CONTRA O GOLPE EM HONDURAS

No último sábado, a Casa Socialista Karl Marx (SP) recebeu vários artistas numa jornada cultural contra o golpe em Honduras. Organizada pelo Pão e Rosas, Movimento A Plenos Pulmões e LER-QI (liga Estratégia Revolucionária), a atividade fez eco ao grito: QUE O SANGUE DERRAMADO NÃO SEJA NEGOCIADO!



Gabriel Nascimento

Pedro QI Alforria


Bá Kimbuta


Coletivo Sonoro Radiola


Zinho Trindade

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vídeo Chamado: Artistas Contra o Golpe

Artistas contra o golpe em Honduras



Dia 03/10, 14h às 22h
Casa Socialista Karl Marx
Pça Américo Jacomino, 49
ao lado do metrô Vila Madalena

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Grande debate na USP diz NÃO ao racismo no Carrefour de Osasco











Por iniciativa de estudantes e trabalhadores da USP, aconteceu ontem no prédio da História o debate “Racismo. Violência e Globalização”. A atividade contou com a participação de cerca de 100 pessoas e uma mesa composta por Kabenguele Munanga e Dennis de Oliveira (professores da USP), Zezé Menezes (trabalhadora da USP), Mara Onijá (militante do Pão e Rosas e da LER-QI) e Douglas Belchior (militante da Uneafro). A mesa foi coordenada por Celso, trabalhador da USP e militante da LER-QI.
Pouco mais de um mês após o espancamento de Januário Alves de Santana, trabalhador da USP, o debate ontem denunciava: “Carrefour agride negro brasileiro: eis o ano da França no Brasil”. Januário, que esteve presente na atividade, relatou a brutalidade da qual foi alvo quando foi acusado de tentar roubar o próprio carro no estacionamento do Carrefour Osasco. O depoimento foi emocionante, fortalecendo um sentimento bastante presente no debate de que não podemos nos calar frente a violência racista que permanece até os dias de hoje, mais de 120 anos após a abolição da escravidão.
Todas as falas enfatizaram que o caso não é isolado, mas expressa sim como o racismo ainda é uma marca profunda da sociedade em que vivemos. Nós do Pão e Rosas nos colocamos de pé, ao lado de Januário e todos os negros e negras que sofrem com o racismo e a violência policial. Do mesmo modo, nos colocamos ao lado dos moradores das favelas que têm se manifestado contra a repressão da polícia , como em Heliópolis na semana passada. A realidade impõe que nos levantemos!